Description
Faixa incluída no EP "AUTO-SABOTAGEM", disponível para encomenda em www.nerve.pt.
Letra, voz, instrumental, gravação, mistura, ilustração e design por Tiago "NERVE" Gonçalves.
Saxofone tenor por Notwan (A.K.A. Mestre André).
Masterização por Zé Quintino.
Booking & press: info@nerve.pt
www.nerve.pt
2018
LETRA:
Se tu não, eu também não.
Bem-vinda a Estocolmo.
(Simone, faz-me um favor.
Não te sintas especial,
que esta é para ti
mas dá para muitas.)
O meu tecto, as minhas regras,
que tu, bem querendo, mal quebras.
Não pensas nem mandas,
aqui nem em ti,
e já és crescida.
Se pisas algumas das linhas,
levanto a voz que nem besta, digo “basta”.
Faço valer a minha autoridade nesta casa.
E aí, sim. Revelas a tua fibra.
Sem briga, forjas o despeito e mostras as costas,
ainda que não saias do campo de visão,
para deixar bem claro o quanto ficaste sentida
e voltes, no mesmo segundo em que chamo o teu nome,
como se tivesses Alzheimer.
E é tudo amor outra vez. Daquele incondicional.
Observas enquanto falo, vidrada.
Em mim, não nas palavras.
Escrava de caras vagas,
meio tola, sem entender ponta.
Refém integrada,
a correr pela casa como uma selvagem.
Nua recusas roupagem.
Não por libertinagem convicta mas inocência.
Colhida quando ainda em rebento. Absorta do prazer da malícia.
Em silêncio com as minhas falhas,
como uma santa sofredora, (Ma...)
daquelas que já não se moldam, nem na província. (...chista.)
Danças em pontas de vã esperança que seja teu público.
Descansas exausta no palco onde o aplauso é ficar à espera.
Perdoa por dia não ter todas as tuas horas.
Se calhar nunca ouviste esta, mas é como eles dizem:
há uma vida lá fora.
Só não para ti.
Simone,
Eu estendo a mão morta,
enquanto roças sem vergonha o teu corpo nas minhas norças,
para me roubar carícias.
Devias respeitar-te mais. (como assim?)
Simone, devias respeitar-te mais.
Simone,
Tu aceitas a sentença que te priva da licença para estar à mesa
mas que te dá as boas-vindas todas as noites na minha cama.
Devias respeitar-te mais.
Simone, devias respeitar-te mais.
Simone,
Eu sei pelos dois que sou indigno.
Na verdade, quando partires,
sou bem capaz de chorar um Nilo inteiro de saudade.
(É. Eu faço essa merda.)
Devias respeitar-te mais. (Como assim?)
Devia respeitar-te mais mas,
se tu não, eu também não.